Meia-sombra é o local que recebe sol direto só numa parte do dia — em geral, de manhã cedo ou já no fim da tarde — ou que fica sob luz filtrada por árvores, pergolados e telas. Essa condição aparece com frequência em quintais urbanos, laterais de casa e varandas voltadas para o leste. Não é coincidência que tantas floríferas bonitas venham de borda de mata: nesse habitat, a planta já evoluiu para funcionar com claridade abundante sem o sol pesado do meio-dia, que ali seria bloqueado pela copa das árvores maiores.
Hortênsia, azaleia, begônia, maria-sem-vergonha, antúrio, bromélia e alpínia costumam dar certo nesses cantos, e quase todas pedem solo rico em matéria orgânica, com umidade constante, mas sem encharcamento. Em regiões de calor intenso, até a azaleia, que aceita sol pleno em clima ameno, agradece a sombra nas horas mais quentes, porque a folha murcha e queima com facilidade quando a temperatura sobe muito. Já nas serras e no Sul, onde o sol bate mais fraco, várias dessas espécies toleram mais horas de exposição direta sem sofrer o mesmo estresse.
O cuidado essencial é não confundir meia-sombra com sombra plena. Debaixo de uma árvore muito copada ou num corredor sem nenhum pedaço de céu aberto, quase nenhuma florífera rende. Se a planta estiver crescendo alongada, com poucas flores e folhas mais moles e escuras do que o normal, esse é o sinal de que falta claridade — às vezes basta desbastar galhos baixos das árvores vizinhas para resolver. Outro detalhe importante: sob árvores grandes, as raízes delas competem com o canteiro por água e nutrientes, então essas áreas costumam pedir adubação e rega um pouco mais generosas do que o restante do jardim.