Cada varanda se comporta como um microclima próprio, e por isso a primeira etapa não é escolher a planta, e sim observar o espaço. Em prédios altos, o vento costuma ser o fator que ninguém espera: ele resseca o substrato muito mais rápido do que o sol e quebra hastes frágeis sem aviso. Vale acompanhar por alguns dias quantas horas de sol realmente batem no piso e no parapeito, porque essa observação é que decide entre plantas de sol pleno e de meia-sombra. E como o ângulo do sol muda com a estação, uma varanda ensolarada em julho pode virar sombra em janeiro, e o contrário também acontece.
Onde o sol é forte, rosa-do-deserto, kalanchoe, onze-horas, petúnia e uma primavera (buganvília) conduzida em vaso grande costumam se dar bem. Nas varandas que recebem só sol da manhã, begônia, maria-sem-vergonha e antúrio rendem mais flor com menos risco de queimadura. Para cobrir grade ou parede sem ocupar piso, jasmim-estrela e flor-de-cera trepam com suporte simples e resolvem bem esse problema. Floreiras no parapeito e cestos suspensos multiplicam o espaço de cultivo, mas só valem a pena se continuarem fáceis de alcançar para regar e limpar.
Em vaso, o volume de terra é pequeno e seca com velocidade, principalmente nos dias de verão — por isso, recipientes maiores seguram umidade por mais tempo, e um substrato com fibra de coco ou casca equilibra retenção de água com drenagem. Antes de prender qualquer floreira no parapeito, confira se o condomínio permite e se a fixação é firme, porque um vaso caindo de uma sacada é risco real para quem passa embaixo. Use pratinhos para não sujar o piso do vizinho de baixo, mas esvazie a água logo depois da rega, já que água parada vira foco de mosquito em poucos dias.