Cada polinizador procura um formato diferente de flor. Abelhas preferem flores abertas, com pólen de fácil acesso, como girassol, zínia e lavanda. Borboletas pousam melhor em inflorescências com muitas florzinhas tubulares agrupadas, como a lantana e a ixora. Beija-flores vão direto às flores tubulares e vistosas, em geral nas cores vermelho e laranja, caso da helicônia e do hibisco. Um jardim com formas variadas atende um número maior de visitantes — e até uma varanda com poucos vasos pode servir de parada para abelhas sem ferrão, comuns nas cidades brasileiras.
Mais importante do que o número de espécies é garantir flor em diferentes épocas do ano, porque polinizadores precisam de alimento contínuo, não só na primavera. Misturar anuais de crescimento rápido, como tagetes e cosmos, com perenes de floração mais longa, como lantana e ixora, cobre boa parte dessa necessidade. Outro detalhe que passa despercebido: flores simples, com o miolo exposto, costumam oferecer mais pólen e néctar do que as variedades muito dobradas, nas quais pétalas extras acabam escondendo justamente a parte que o inseto procura.
Inseticida de amplo espectro é o principal inimigo dessa estratégia, porque mata indiscriminadamente abelhas e lagartas de borboleta junto com a praga que se queria controlar. Sabão neutro diluído, óleo de neem e a remoção manual resolvem a maioria dos problemas sem esse efeito colateral, principalmente se aplicados no fim da tarde, quando há menos visitantes voando. Um pratinho raso com água e pedrinhas serve de ponto de hidratação seguro para os insetos, e deixar um canto menos arrumado do jardim, com folhas secas, costuma abrigar espécies benéficas. Um jardim sem nenhuma lagarta, de certa forma, é sinal de pouca vida ali, não de jardim mais saudável.