O inverno do hemisfério sul cobre os meses de junho a agosto, mas seu rosto muda bastante conforme a região: geada firme no Sul e nas serras, frio moderado no Sudeste, estiagem no Centro-Oeste e temperaturas quase estáveis no Norte e no Nordeste. Mesmo assim, algumas flores aproveitam justamente esse clima mais fresco para abrir: amor-perfeito, ciclame, azaleia e kalanchoe atingem o melhor momento da temporada, e muitas orquídeas phalaenopsis lançam nova haste floral puxadas pelo frio das noites. Para boa parte dessas espécies, a diferença grande entre a temperatura do dia e da noite é justamente o estímulo que faltava para florescer.
Nas regiões onde o inverno também é período de seca, a primavera (buganvília) costuma florescer com ainda mais força, porque recebe menos água nessa fase. Já as tulipas que chegam às floriculturas em junho e julho vêm de bulbos cultivados em câmara fria antes da venda; no clima brasileiro, sem esse tratamento repetido, elas raramente voltam a florescer no ano seguinte, e por isso é mais realista tratá-las como flor de uma só temporada. A mesma lógica vale para qualquer planta florida comprada nessa época: muitas foram forçadas em estufa e podem demorar meses até produzir uma nova florada em casa.
Com o frio, o crescimento desacelera e o consumo de água cai, de modo que manter a mesma rotina de rega do verão costuma encharcar a raiz sem necessidade. A adubação também pede moderação, exceto nas espécies que estão florescendo justamente nesse período. Em áreas de geada, cobrir as plantas mais sensíveis com manta de TNT nas noites mais frias, retirando-a de manhã, reduz bastante o estrago; nas regiões secas, o ar com pouca umidade resseca folhas e pontas, principalmente dentro de casa, e agrupar os vasos, longe de aquecedores, ajuda a amenizar isso. Sobra ainda tempo, nesses meses mais calmos, para limpar ferramentas e organizar as compras de muda da próxima primavera.