O outono brasileiro ocupa os meses de março a maio, trazendo dias mais curtos, noites mais frias e, em grande parte do território, menos chuva. Para algumas plantas, essa própria redução de luz funciona como aviso para florescer: é o caso da flor-de-maio, batizada assim por abrir justamente entre abril e maio no Sudeste, e do crisântemo, que na natureza produz botões quando os dias encurtam — embora os exemplares vendidos o ano inteiro em floricultura só consigam isso porque crescem sob controle artificial de luz dentro de estufa.
Outras espécies simplesmente continuam a floração aberta desde o verão e seguem dando cor ao jardim: alamanda, cosmos, tagetes, lantana e ixora mantêm o ritmo, enquanto a azaleia e a violeta-africana começam a ganhar fôlego com o ar mais ameno. Perto do fim da estação, o kalanchoe já inicia a formação de botões que vão abrir no inverno. Esses meses mais frescos também favorecem o próprio trabalho no jardim: fica mais fácil reformar canteiros, dividir touceiras e transplantar arbustos sem o estresse extra que o calor impõe à planta recém-movida.
A rotina de cuidados muda junto com a temperatura: a rega deve acompanhar a queda do calor, porque o solo leva mais tempo para secar, e a adubação pode ficar mais leve, com menos nitrogênio na mistura. É também uma boa época para podas de formação em espécies tropicais e para semear flores de clima ameno, como o amor-perfeito, nas regiões Sul e Sudeste. Já nas áreas sujeitas a geada, convém evitar cortes drásticos em plantas sensíveis ao frio, porque os brotos novos que nascem depois da poda são justamente os mais vulneráveis às primeiras noites geladas.